28 de abril de 2012

ENTREVISTA| A musa do craque trágico

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“Heleno” é um filme carregado nas costas por Rodrigo Santoro, que encena de forma impressionante a gloriosa ascensão e a trágica derrocada do popular e problemático craque de futebol dos anos 1940 Heleno de Freitas, grande ídolo do Botafogo. Mas é justo reconhecer que Alinne Moraes, a cada entrada em cena, enche de luz o triste e sombrio filme de José Henrique Fonseca em cartaz em alguns cinemas do Estado.

Alinne, 29 anos, paulista de Sorocaba, se tornou um dos rostos mais belos e conhecidos da televisão pelas novelas da Globo. Em sua trajetória no cinema, ela já estrelou produções como “O Homem do Futuro”, ao lado de Wagner Moura, e, em breve, será vista em “O Vendedor de Passados”, contracenando com Lázaro Ramos.

Em “Heleno”, Alinne vive Silvia, mulher de Heleno, personagem fictícia inspirada em Ilma, a real grande musa do Don Juan dos gramados. Em março, no lançamento do filme em São Paulo, Alinne conversou com a reportagem. Confira os principais trechos.

Você é uma revelação na televisão e tem aparecido com frequência no cinema, tanto em projetos comerciais, quanto em filmes mais autorais. Que tipo de trabalho atrai mais?

Alinne Moraes – Uma coisa alimenta a outra. Por mais que cinema e televisão sejam tão diferentes, a brincadeira é a mesma. “Heleno” é meu sexto filme. Terminei de filmar agora “O Vendedor de Passados”, do Lula Buarque de Hollanda, com o Lázaro Ramos. Gosto de fazer um trabalho de cada vez, sou muito focada no desenvolvimento e nos detalhes da personagem. Não tenho nenhuma estratégia para escolher trabalhos, as personagens vão acontecendo, na TV, no cinema e no teatro, onde agora vou fazer a Doroteia, do Nelson Rodrigues. Na televisão, tem de se fazer 40 cenas por dia, no cinema se fazem duas, é a busca da perfeição que vai ser eternizada. E gosto do teatro porque o palco te alimenta de coisas muito boas.

E como você entrou em “Heleno”?

Alinne – Fiquei sabendo do projeto e fiz um teste quando ainda vivia a Luciana, uma tetraplégica, na novela “Viver a Vida”. Faltavam duas semanas para o fim das gravações quando me chamaram para filmar.
Em “Heleno” você passa por diferentes registros, da femme fatale no início à mulher mais sóbria e amargurada do final. Como foi o trabalho de composição de Silvia, uma personagem fictícia em um filme biográfico?

Alinne – Não me inspirei em ninguém. Pesquisei em filmes e fotos, contei com apoio da Mariá, uma neta do Heleno de Freitas. Tenho filmes clássicos, uma biblioteca com livros de fotografias e de moda de diferentes décadas. Também conversei com pessoas que viveram naquela época, conheceram aquele ambiente. O Rodrigo (Santoro) me ajudou a entender o que o Heleno via na Silvia. Por não ser um figura real, ela é uma consequência dos atos do Heleno, é uma continuidade do corpo e da alma dele. Ela sabia que ele não era um príncipe encantado, mas, no momento em que se sentiu abandonada, mudou completamente. Eu me baseei no roteiro, a realidade dela está no roteiro. O resto eu criei. Eu costumo fazer uma árvore genealógica dos personagens, dar uma história para eles, isso é fundamental.

Você tem trabalhos marcantes que exploram seu lado sensual, como nos especiais da Globo “As Cariocas” e “Amor em Quatro Atos”. Como foram essas experiências?
Alinne – Em “As Cariocas”, eu fiz o episódio “A Noiva do Catete”. Foi a primeira vez que entrei nesse universo. Tudo foi coreografado, até a maneira de sentar no sofá. E meu papel em “Amor em Quatro Atos”, inspirado em canções do Chico Buarque, foi de uma prostituta melancólica, o lado sensual ficou em segundo plano. Em “Heleno”, as cenas sensuais do início do filme foram as mais difíceis de fazer. É engraçado, mas tenho dificuldade para fazer esse tipo de cena. Gosto mais do ambiente dark, profundo, de fazer psicopata, mãe solteira, lésbica, tetraplégica, de personagens fortes que tenham algo a dizer. Acho que essa coisa de mulher fatal não funciona bem comigo em “Heleno”, fica coisa de menina fingindo ser mulher. Mas, afinal, era isso que era a personagem quando conheceu o Heleno de Freitas.

Você tem interesse em interpretar personagens que não dependam tanto da sua beleza?


Alinne – Muito. Em “O Vendedor de Passados”, eu apareço envelhecida, com olheiras e cabelo preso. Por que só feios podem ser bons atores? (risos). É brincadeira, lógico. Mas eu quero, sim, cortar o cabelo se o personagem pedir isso. Não tenho nenhum apego pelo aspecto físico.
Os atores de “Heleno” contaram com o preparador de elenco Sérgio Penna. Você gosta desta parceria?

Alinne – Sempre ajuda. É uma segunda cabeça, uma segunda opinião. Esse olhar de fora te mostra outras possibilidades e auxilia a evitar o uso das bengalas da interpretação, aqueles vícios que não ajudam na hora de compor um novo personagem.

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